Diverticulite: o que é, quais os sintomas e tratamentos – Ser Saúde

Diverticulite: o que é, quais os sintomas e tratamentos - Ser Saúde

Um problema no intestino é sempre sinônimo de incômodo, pois pode gerar sintomas desagradáveis como: dor, estufamento da barriga e constipação, além de outras complicações, se não cuidado da maneira correta. Dentre eles há a diverticulite, doença caracterizada pela inflamação de um ou mais divertículos (pequenas bolsas com formato de balão), localizados na parede do intestino grosso.

Atualmente, cerca de um terço da população com mais de 50 anos e dois terços com mais de 80 anos desenvolvem a diverticulite, conforme afirma a médica gastroenterologista Amanda Rocha*. Os pacientes, que têm divertículos no intestino, em sua maioria, são, porém, assintomáticos, adiciona a médica gastroenterologista Renata Leitão**.

Quando o divertículo inflama, ocasionando a diverticulite, a pessoa passa a se queixar de desconforto abdominal, especialmente do lado inferior e esquerdo do abdome, tipo cólica abdominal. “Dependendo da extensão da inflamação e da gravidade do quadro, podem surgir febre, vômito e dor abdominal intensa. O diagnóstico final é baseado na história clínica e no exame físico realizados pelo médico, resultados de exames laboratoriais e de imagem”, acrescenta Renata.

O que é diverticulite?

Trata-se de uma condição clínica que se caracteriza pela inflamação de divertículos presentes no cólon (intestino grosso). Segundo a gastroenterologista Renata Leitão, tais divertículos são como hérnias que se formam e que se tornam cada vez mais frequentes com o avançar da idade.

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Estes divertículos podem ocorrer em todo o intestino grosso, porém é mais comum na porção mais distal do cólon, conhecida como sigmoide. “É importante frisar que a simples presença de divertículos no intestino corresponde a um quadro chamado diverticulose. Quando estes inflamam, o diagnóstico é de diverticulite”, explica a gastroenterologista Amanda Rocha.

Quais as causas?

A causa para a diverticulite é multifatorial. “Envolve, principalmente, dieta pobre em fibras e rica em multiprocessados, alteração na microbiota intestinal (flora intestinal), alteração na motilidade intestinal (movimentos peristálticos), sedentarismo, envelhecimento, além de fatores ambientais e genéticos”, detalha Renata Leitão.

Sintomas da diverticulite

A maioria dos pacientes que possui divertículos intestinais não apresenta sintomas, diz Amanda Rocha, sendo os casos diagnosticados por exames feitos para analisar alguma outra anormalidade por meio de colonoscopia ou tomografia de abdome.

Quando há inflamação diverticular, podem ocorrer sintomas como:

  • dor abdominal, principalmente na parte inferior do lado esquerdo do abdome;
  • febre;
  • calafrios;
  • náuseas e vômitos;
  • perda do apetite;
  • alterações nos hábitos intestinais, como diarreia ou constipação;
  • sangue nas fezes.

O diagnóstico é realizado mediante uma história clínica sugestiva em pacientes em geral acima de 40 anos. “A tomografia é o exame de primeira escolha para diagnóstico de diverticulite aguda, e auxilia na classificação da diverticulite aguda complicada e não complicada, guiando, junto à avaliação clínica e laboratorial, a decisão terapêutica: medicamentosa (ambulatorial ou hospitalar) ou cirúrgica”, acrescenta Amanda.

Através da tomografia de abdome com contraste endovenoso é possível a visualização de divertículos com inflamação pericólica do tecido adiposo, espessamento da parede do cólon e complicações como a presença de abscessos, estenoses, perfurações intestinais, coleções infectadas intra-abdominais e fístulas para órgãos adjacentes, como bexiga, descreve a gastroenterologista.

Amanda ressalta, ainda, que a colonoscopia, devido ao risco de perfuração pelo próprio aparelho ou pela insuflação de ar, deve ser evitada na diverticulite aguda e postergada por pelo menos quatro semanas após resolução do quadro.

Quais os tratamentos?

Na doença diverticular não complicada, a dieta rica em fibras melhora os sintomas de dor e distensão abdominal recorrentes, constipação e diarreia e previne episódios de diverticulite aguda.

Outras orientações são:

  • Cessar o tabagismo;
  • Reduzir ingestão de carne vermelha;
  • Realizar atividade física regular;
  • Evitar uso frequente de anti-inflamatórios.

A mesalazina, um anti-inflamatório de ação a nível intestinal, pode ser utilizada em pacientes com doença diverticular sintomática não complicada, associada ou não a probióticos, indica Amanda Rocha. “Há estudos que demonstram seu efeito na prevenção do primeiro episódio de diverticulite. A rifaximina é outra opção com bons resultados, mas com custo bastante elevado”, acrescenta.

O tratamento da diverticulite aguda não complicada (sem abscesso, perfuração ou sinais de infecção sistêmica como febre alta, aumento importante de provas inflamatórias) geralmente envolve repouso intestinal, antibióticos por via oral para tratar a infecção, analgésicos para aliviar a dor e uma dieta líquida ou com baixo teor de fibra para ajudar a reduzir a pressão no cólon, explica a gastroenterologista.

Os sintomas devem melhorar entre 48 e 72 horas. Os pacientes devem ser orientados a retornar para reavaliação se qualquer sinal de piora ou não melhora do quadro neste período. “Em casos de diverticulite complicada por abscessos, perfuração intestinal ou sinais de septicemia, ou de pacientes com comorbidades graves, ou estados de imunossupressão e que não toleram dieta e medicações por via oral, é necessária a hospitalização para uso de antibióticos endovenosos, jejum e hidratação venosa”, frisa Amanda Rocha.

Abscessos maiores que três a quatro centímetros, próximos ao cólon ou à distância, podem necessitar de drenagem percutânea guiada por tomografia ou ultrassonografia.

Já a abordagem cirúrgica é indicada nos seguintes casos:

  • Sinais de perfuração intestinal;
  • Infecção difusa da cavidade abdominal;
  • Abscessos não drenáveis por técnica percutânea;
  • Presença de obstrução intestinal ou fístulas.



O mais importante é manter uma dieta rica em fibras, beber bastante água, fazer exercícios físicos regularmente e evitar o uso excessivo de laxantes. “É importante consultar um médico se houver suspeita de diverticulite, pois o diagnóstico e o tratamento adequados e no tempo certo são essenciais para evitar complicações graves, como perfuração do cólon ou formação de abscessos”, avalia Amanda Rocha.


Não existe um exame de sangue específico para detecção da diverticulite, garante Renata Leitão. No geral, exames que mostram inflamação tecidual podem estar alterados, como: hemograma completo (especialmente os leucócitos), PCR e VHS. “A calprotectina fecal, um exame que avalia o grau de inflamação intestinal, também pode vir alterado. Mas, lembrando, nenhum desses exames é específico para diverticulite, podendo estar alterados em diversas outras doenças”, acrescenta.


Alimentos ricos em fibras e gorduras deverão ser evitados na fase crise aguda. São eles: pães e biscoitos integrais, arroz integral, feijão, ervilha, farelo de trigo, verduras folhosas em geral, frutas (como ameixa, mamão, abacate, laranja, pera), legumes (como cenoura, tomate, berinjela, beterraba, quiabo, rabanete, jiló, vagem e chuchu). Deve-se ainda evitar laticínios integrais, bebidas alcoólicas e alimentos ultraprocessados como embutidos, e todos os tipos de carnes. O uso de anti-inflamatórios não esteroidais (ibuprofeno, cetoprofeno, diclofenaco, nimesulida e outros) pode aumentar o risco de sangramento diverticular.


Durante a crise aguda, o leite e seus derivados devem ser retirados da dieta, pois são alimentos difíceis de digerir. Além de formar gases, podem piorar os sintomas de dor abdominal e distensão, explica Amanda Rocha. “Já para que tem não está em crise aguda de diverticulite e não possui intolerância à lactose, não há contraindicação para o consumo de leite e derivados”, adiciona.


Sim, a banana também possui fibras em sua composição, mas, na vigência do quadro agudo de inflamação, deve ser evitada.

*Amanda da Costa Rocha é médica gastroenterologista formada pelo Hospital Universitário Walter Cantídio – UFC e endoscopista digestiva pelo Hospital Geral de Fortaleza. Membro da Federação Brasileira de Gastroenterologia-FBG e da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (SOBED).

** Renata Leitão é médica formada pela Universidade de Fortaleza, com residência médica em Gastroenterologia pelo Hospital Geral de Fortaleza. Médica diarista do Hospital Estadual Leonardo DaVinci e médica do serviço de Transplante Hepático do Hospital Geral de Fortaleza. Atuante dentro das áreas de medicina interna, gastroenterologia e hepatologia.

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